Entrevista: José Gonçalves, CEO da Mind Group, sobre software houses na era da IA

José Gonçalves, CEO da Mind Group, fala sobre a criação da software house, os diferenciais da empresa, o impacto da IA generativa no setor e a parceria com a Softdex.

Equipe Softdex··14 min de leitura
Entrevista: José Gonçalves, CEO da Mind Group, sobre software houses na era da IA

A Softdex conversa com os líderes das software houses brasileiras para entender como elas nascem, o que as diferencia e para onde o setor está indo. Nesta entrevista, o convidado é José Gonçalves, CEO e fundador da Mind Group, software house fundada em 2016 em Sorocaba (SP), com mais de 100 profissionais e clientes como Itaipu, Torra, FISK e Febracis. Ele fala sobre a origem da empresa, o que muda com a IA generativa e por que colocar um sistema em produção com segurança segue sendo o desafio real do mercado.

O que motivou você a empreender abrindo uma software house?

O que nos motivou a criar a Mind Group foi a oportunidade de construir uma software house brasileira capaz de unir excelência técnica, profissionalismo, processos e visão de negócio. O mercado de tecnologia é extremamente dinâmico: estamos sempre aprendendo, resolvendo novos problemas e participando da criação de produtos, empresas e modelos de negócio.

Desde o início, percebemos que o mercado brasileiro de desenvolvimento de software apresentava dois extremos. De um lado, grandes consultorias altamente profissionalizadas. Do outro, empresas e profissionais tecnicamente competentes, mas com pouca organização, documentação, governança e previsibilidade nas entregas.

A Mind Group nasceu para ocupar esse espaço: oferecer desenvolvimento de software sob medida com capacidade técnica para atender projetos complexos, mas também com proximidade, agilidade e participação estratégica.

Sempre buscamos construir uma empresa capaz de conversar de igual para igual com grandes organizações sobre arquitetura de software, infraestrutura em nuvem, escalabilidade, cibersegurança, inteligência artificial, qualidade de código e continuidade operacional.

O dinamismo também nos motiva. Em um momento, podemos ajudar um empreendedor a transformar uma ideia em um MVP. Em outro, estamos desenvolvendo ou sustentando uma aplicação B2B complexa para uma grande empresa. Essa possibilidade de participar tanto da criação de novos negócios quanto da transformação digital de organizações consolidadas é uma das principais razões pelas quais continuamos empreendendo em tecnologia.

O que você acredita ser o principal diferencial da sua software house?

O principal diferencial da Mind Group é a combinação entre excelência (nosso pilar), versatilidade técnica (atuamos com diversas stacks) e capacidade de atuar como consultoria de negócios (para não fazer um sistema que não terá futuro).

Embora não sejamos uma das maiores software houses brasileiras em número de colaboradores, conseguimos atuar na mesma mesa de grandes consultorias e atender projetos de alta complexidade. Hoje, temos portfólio, processos e experiência prática para gerar resultados relevantes, independentemente do porte da organização atendida.

Não somos uma empresa limitada a uma única tecnologia ou a soluções prontas. Desenvolvemos sistemas, plataformas, aplicativos e produtos digitais sob medida. Isso nos permite atuar em diferentes frentes, como:

  • Arquitetura de software;

  • Aplicações web e mobile;

  • Inteligência artificial generativa;

  • Aplicações baseadas em LLMs;

  • APIs e integrações;

  • Infraestrutura em nuvem;

  • Escalabilidade;

  • Cibersegurança;

  • Monitoramento de sistemas 365 dias por ano;

  • Sustentação e evolução de software.

Outro diferencial é que não enxergamos a publicação do sistema como o final do projeto. Um software precisa permanecer disponível, seguro, monitorado e preparado para evoluir. Por isso, pensamos não apenas no desenvolvimento, mas em todo o ciclo de vida do produto digital.

Essa combinação entre profundidade técnica, processos, segurança e visão de negócio permitiu que a Mind Group construísse experiência atendendo startups, empresas B2B, multinacionais, instituições financeiras e grandes organizações, incluindo marcas como Itaipu, Torra, FISK, Febracis, entre outras.

Como você enxerga o mercado de software houses hoje?

O mercado de software houses está passando por uma das maiores transformações de sua história, impulsionada principalmente pela inteligência artificial generativa.

Ferramentas de IA reduziram significativamente a barreira de entrada para o desenvolvimento de software. Hoje, mais pessoas conseguem criar aplicativos, plataformas, automações e produtos digitais, mesmo sem uma formação técnica tradicional. Isso é positivo porque democratiza a tecnologia, estimula a inovação e permite validar ideias com muito mais velocidade.

Entretanto, criar um sistema ficou mais fácil; colocá-lo em produção com segurança, estabilidade e capacidade de crescimento continua sendo um desafio.

Muitas empresas estão lançando aplicações sem compreender completamente como o código foi estruturado, como os dados estão sendo tratados, quais vulnerabilidades podem existir, quais serviços de terceiros estão envolvidos ou se a arquitetura suportará uma operação real.

Por isso, acreditamos que o mercado de software houses deixará de ser concentrado apenas na produção de código. O valor estará cada vez mais na capacidade de transformar protótipos e sistemas criados rapidamente em operações profissionais, seguras, escaláveis e sustentáveis.

As software houses precisarão atuar de forma mais ampla, envolvendo:

  • Estratégia de produto;

  • Customer success;

  • Sustentação de aplicações;

  • Infraestrutura e disponibilidade;

  • Governança de dados;

  • Cibersegurança.

A capacidade de programar continuará importante, mas deixará de ser suficiente como diferencial competitivo. As software houses mais relevantes serão aquelas capazes de assumir responsabilidade pelo funcionamento, pela segurança e pela continuidade do negócio apoiado por aquele software.

Falando em IA, qual é o papel da software house nesse novo contexto de mercado?

No contexto da inteligência artificial, o principal papel de uma software house será garantir que aquilo que foi criado rapidamente possa funcionar de maneira segura, confiável e sustentável em uma operação real.

A IA generativa consegue produzir grandes volumes de código em pouco tempo. No entanto, a velocidade de geração é muito superior à capacidade humana de revisão. Por isso, imaginar que uma equipe conseguirá revisar manualmente, com o mesmo nível de profundidade, cada linha produzida por inteligência artificial não é uma estratégia sustentável.

O caminho mais eficiente será combinar automação, políticas de desenvolvimento e revisão humana orientada por risco. Em vez de tratar todas as partes do sistema da mesma forma, a software house deverá concentrar sua atenção nos componentes que podem comprometer a segurança, a disponibilidade ou o negócio.

Nesse novo mercado, a software house terá um papel semelhante ao de uma camada de engenharia, governança e proteção. Ela deverá estabelecer padrões, identificar riscos, validar decisões arquiteturais e garantir que o sistema continue funcionando depois do lançamento.

Na visão da Mind Group, sustentação, monitoramento, infraestrutura e cibersegurança serão algumas das áreas mais importantes para as software houses nos próximos anos. A inteligência artificial poderá acelerar a criação do código, mas as empresas ainda precisarão de parceiros responsáveis por proteger, manter e evoluir suas operações digitais.

Portanto, a IA não elimina a importância da software house. Ela muda o centro de valor da software house: da simples produção de código para a engenharia, a segurança e a continuidade do negócio.

Como a sua empresa tem abordado o uso de IA?

A Mind Group utiliza a inteligência artificial como uma ferramenta de produtividade, pesquisa, documentação, desenvolvimento e apoio à tomada de decisão, mas mantém processos humanos de validação e políticas internas proporcionais ao risco de cada projeto.

Incentivamos o uso de IA e promovemos treinamentos para que a equipe saiba utilizar essas ferramentas de maneira produtiva e responsável. A inteligência artificial pode reduzir o tempo necessário para determinadas tarefas, acelerar testes de hipóteses, apoiar a documentação e ampliar a capacidade de execução dos profissionais.

Entretanto, velocidade sem controle também pode acelerar erros e vulnerabilidades. Por isso, mantemos políticas internas, especialmente nas etapas de revisão, validação e pré-lançamento.

O nível de rigor varia conforme a criticidade da aplicação. Um MVP B2C criado para validar uma hipótese pode admitir um processo mais flexível. Já um sistema que envolve dados sensíveis, pagamentos, integrações críticas, grande volume de usuários ou impacto direto sobre uma operação empresarial exige controles mais rigorosos.

Em projetos de maior criticidade, ampliamos as etapas relacionadas a arquitetura, revisão de código, controle de acesso, testes, infraestrutura, segurança, monitoramento e validação antes da entrada em produção.

Nossa abordagem não é impedir o uso da IA, mas estabelecer critérios para utilizá-la com responsabilidade. Queremos aproveitar a velocidade e a capacidade de execução oferecidas pela inteligência artificial sem transferir para o cliente riscos técnicos, operacionais ou de segurança que poderiam ser identificados anteriormente.

Para a Mind Group, o futuro do desenvolvimento de software não será uma disputa entre pessoas e inteligência artificial. Será uma combinação entre a velocidade da IA, o conhecimento técnico dos profissionais e processos capazes de garantir qualidade, segurança e responsabilidade.

Como a Softdex tem ajudado a sua empresa?

A Softdex tem ajudado a Mind Group a ampliar sua visibilidade, fortalecer seu posicionamento e se conectar com empresas que procuram software houses brasileiras qualificadas.

A plataforma também tem criado um canal importante de aproximação com o mercado. Temos valorizado a disposição da Softdex em ouvir as software houses, compreender os desafios do setor e desenvolver sua atuação com base nas necessidades reais das empresas de tecnologia.

Essa escuta é relevante porque o mercado brasileiro de desenvolvimento de software ainda enfrenta dificuldades relacionadas à geração de oportunidades qualificadas, construção de confiança, diferenciação técnica e demonstração de experiência.

Para a Mind Group, a Softdex representa uma oportunidade de apresentar nossa capacidade de entrega, nosso portfólio e nossa experiência atendendo empresas de diferentes portes e segmentos.

Hoje, possuímos experiência com startups, empresas B2B, multinacionais, bancos, instituições e grandes organizações dentro e fora do Brasil. Em nosso histórico estão empresas como Itaipu, Torra e Febracis, além de clientes de setores como indústria, tecnologia, infraestrutura, serviços e mercado financeiro.

A Softdex contribui para tornar esse trabalho mais visível e aproximar a Mind Group de empresas que não procuram apenas fornecedores de código, mas parceiros de tecnologia com processos, experiência, responsabilidade e capacidade de sustentação.

Queremos continuar contribuindo com a plataforma e participando desse movimento de fortalecimento, amadurecimento e profissionalização do ecossistema brasileiro de software houses.

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