Entrevista: Lincoln Biancardi, da BianCode, sobre operação, métrica de negócio e IA que paga a conta
Lincoln Biancardi, fundador da BianCode, software house de Vitória (ES), fala sobre atender o dono da empresa média, começar todo projeto por uma métrica de negócio e usar IA onde ela gera resultado, do desenvolvimento à operação do cliente.

Lincoln Biancardi Matos passou mais de 13 anos construindo sistemas para grandes empresas, entre eles o e-commerce da Nike no Brasil, antes de fundar a BianCode, software house de Vitória (ES) voltada para empresas de médio porte, com sistemas sob medida, integração com ERP e automação com IA.
Na sexta edição da série Softdex Entrevista, Lincoln explica por que todo projeto da BianCode começa e termina em uma métrica do negócio, o que muda quando a conversa é com o dono da empresa em vez do TI, e onde a IA de fato paga a conta na operação de uma empresa média.
O que motivou você a empreender abrindo uma software house?
Passei mais de 13 anos construindo sistema para empresa grande, inclusive o e-commerce da Nike no Brasil. Lá a tecnologia era tratada como parte do negócio. Quando comecei a conversar com donos de empresa média aqui no Espírito Santo, vi o oposto: gente faturando dezenas de milhões com a operação presa em planilha e WhatsApp, e sistema contratado que virou depósito de dado.
A BianCode nasceu para fechar essa distância. Não para vender software, mas para fazer a operação do dono fluir.
O que você acredita ser o principal diferencial da sua software house?
A gente fala com o dono, não com o TI. Todo projeto começa com uma métrica do negócio (horas de retrabalho, dias de fechamento, pedidos errados) e termina com ela medida. O resto é consequência disso: escopo e preço fechados, código e dados que ficam com o cliente, e integração com o ERP que a empresa já tem em vez de empurrar mais um sistema.
Já recusamos projeto porque o cliente precisava de cadastro limpo, não de software. Ele voltou um ano depois, pronto.
Como você enxerga o mercado de software houses hoje?
Tem muita gente boa e muita demo bonita. O que mais vejo é software house vendendo o que ela tem, não o que o cliente precisa, e cobrando como se ainda fosse 2020. Com IA no processo de desenvolvimento, o que levava seis meses sai em semanas. Quem não mudou a forma de trabalhar está cobrando ineficiência do cliente. Ao mesmo tempo, o comprador ficou mais exigente, e isso é bom para quem entrega de verdade.
Falando em IA, qual é o papel da software house nesse novo contexto de mercado?
Tirar a IA do PowerPoint e colocar dentro do processo. Tenho observado um padrão: a empresa testa IA em ferramenta avulsa, vê que funciona, e trava na hora de ligar isso no ERP, no estoque e no financeiro. É aí que a software house entra. O papel não é ser "especialista em IA", é ser quem conecta a IA à operação e mede o resultado. Se não tem métrica de negócio atrelada, não é projeto, é experimento.
Como a sua empresa tem abordado o uso de IA?
Em duas frentes. Dentro de casa, a IA está em todo o nosso processo de desenvolvimento, do levantamento à entrega, e isso é o que nos permite cobrar menos horas por projeto. Para o cliente, a gente usa IA onde ela paga a conta: validação de documento, atendimento no WhatsApp que conversa com o sistema, relatório que o dono abre na segunda de manhã. Nada de agente mágico que resolve tudo. Automação com gente aprovando o que importa.
Como você imagina a Softdex ajudando a sua empresa?
O dono de empresa média pesquisa antes de contratar, e cada vez mais pergunta para uma IA. Um diretório com avaliação de cliente verificado vale mais do que qualquer página de "quem somos". Espero que a Softdex ajude quem está procurando uma software house a comparar com critério, e não só pelo preço da hora. Para nós, é a chance de a prova social falar antes de mim.
Este post faz parte da série Softdex Entrevista, em que fundadores de software houses brasileiras falam sobre mercado, tecnologia e IA. Conheça o perfil da BianCode na Softdex e as software houses avaliadas no diretório.